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	<title>Estudando Letras &#187; poesia</title>
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	<description>Anotações de aula do curso de letras</description>
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		<title>Análise do poema “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 17:58:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[teoria literária]]></category>
		<category><![CDATA[análise]]></category>
		<category><![CDATA[forma e conteúdo no poema]]></category>
		<category><![CDATA[gonçalves dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma análise do poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, relacionando forma e conteúdo. Introdução à conceitos de teoria literária em análise de poemas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este texto é uma anotação de uma análise feita em aula pelo professor Eduardo Martins. O professor não é de modo algum responsável por erros, omissões ou imprecisões na análise</em>.</p>
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<p>O poema foi escrito enquanto Golçaves Dias estava em portugal cursando Direito.</p>
<p>O poema pertence ao gênero Lírico, que não conta uma história e sim exprime um estado de ânimo de um “eu”, o “eu” lírico.Os elementos de cenário servem como metáforas desse estado de espírito e tem papel muito mais importanbte do que cenários onde se desenrola uma história.</p>
<p>O poema começa com o uso de uma epígrafe, prática comum no romantismo, que possui função semelhante à clave musical, servindo para sugerir o tom da interpretação do poema.</p>
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<p>O poema começa com a oposição da terra natal do <em>eu lírico</em> como lugar distante (lá) e a terra do exílio. Essa oposição parte de elementos prosaicos e vai num crescendo até atingir a própria vida.</p>
<p>A comparação não se dá entre <em>coisas que existem na terra natal e não no exílio</em>, mas sim entre <em>elementos presentes em ambas as terras, subjetivamente afirmando a superioridade da terra natal</em>.</p>
<h3>Forma</h3>
<p>O poema possui 3 quadras e 2 sextetos. A forma é simples, e essa simplicidade se reflete também no vocabulário. Mas a simplicidade não é sinal de “pobreza” e sim de grande habilidade no manuseio dos recursos formais do poema.</p>
<p>O poema possui uma “<em>musicalidade</em>” que é dada pelo ritmo e pelas rimas. Rimas são a repetição de alguns sons iguais ou semelhantes, no final ou no interior dos versos. No caso da “Canção do Exílio” as rimas se dão nos versos pares e os ímpares não rimam (embora alguns versos ímapres possuam rima “toante”, que é a rima apenas da sílaba tônica”. A rima comum seria a “soante”).</p>
<p>A repetição sonora é reforçada pela repetição de palavras, o que acaba por ecoar e firmar o aspecto musical do poema. A repetição dos versos acabam por criar um “refrão”, o que soma o aspecto “musical” do poema.</p>
<p><strong>O ritmo, na literatura neolatina, é dado pela sucessão de de sílabas fracas e fortes</strong>, ao se dividr as sílabas poéticas (como as sílabas são pronunciadas e contadas até a última sílaba tônica do verso).</p>
<p>No exemplo:</p>
<p>Mi/nha/ te/rra /tem/ pal/mei/ras<br />
On/de/ can/ta o/ sa/bi/á<br />
As/ a/ves/ que a/qui/ gor/jei/am<br />
Não/ gor/jeiam/ co/mo/ lá</p>
<p>Acabam produzindo o seguinte ritmo, se considerarmos a notação / para sílaba forte e _ para sílaba fraca:</p>
<p>/_/_/_/<br />
/_/_/_/<br />
_/__/_/<br />
/_/_/_/</p>
<p>Note o terceiro verso. O ritmo é destoante dos outros três (1°, 2° e 4°). Esse verso diz justamente “As aves que aqui gorjeiam”, ou seja uma referência à terra do exílio. O ritmo é quebrado sempre que o poeta se refere à terra do exílio. Nos versos 21, 22, e 23 também há quebra do ritmo, mas associada à grande tensão do “eu” lírico. Desse modo, <strong>a forma do poema é usada para dar consistência ao seu conteúdo</strong>.</p>
<p>O poema pertence à primeira geração romântica no Brasil, que coincide com a época da independência, estando associada à grandes aspirações nacionalistas e interesse pelas coisas do país, a “cor local”, refletindo, no romantismo, elementos da geografia local, afirmando a diferença e independencia de Portugal, inclusive literariamente.</p>
<p>Como a língua é a mesma, buscam uma teoria alemã que afirma a diferença na geografia. Essa teoria dividia a europa em dois “hemisférios literários”: o sul, mediterrâneo, luminoso, que se reflete na literatura greco romana e o norte brumoso, frio, que se reflete na cavalaria cristã romântica. Dessa forma os romantistas brasileiros resolvem o conflito da diferenciação literária mesmo compartilhando a língua com Portugal.</p>
<p><strong>Canção do Exílio</strong><br />
Minha terra tem palmeiras,<br />
Onde canta o sabiá;<br />
As aves, que aqui gorjeiam,<br />
Não gorjeiam como lá.</p>
<p>Nosso céu tem mais estrelas,<br />
Nossas várzeas tem mais flores,<br />
Nossos bosques tem mais vida,<br />
Nossa vida mais amores.</p>
<p>Em cismar, sozinho, à noite,<br />
Mais prazer encontro eu lá;<br />
Minha terra tem palmeiras,<br />
Onde canta o sabiá.</p>
<p>Minha terra tem primores,<br />
Que tais não encontro eu cá;<br />
Em cismar &#8211; sozinho, à noite -<br />
Mais prazer encontro eu lá;<br />
Minha terra tem palmeiras,<br />
Onde canta o Sabiá.</p>
<p>Não permita Deus que eu morra,<br />
Sem que eu volte para lá;<br />
Sem que desfrute os primores<br />
Que não encontro por cá;<br />
Sem qu&#8217;inda aviste as palmeiras,<br />
Onde canta o Sabiá.<br />
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		<title>Análise do poema &#8220;Mundo Antigo&#8221; de Carlos Drummond de Andrade</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 16:34:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[literatura brasileira]]></category>
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		<category><![CDATA[Carlos Drummond de Andrade]]></category>
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		<category><![CDATA[mundo antigo]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>

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		<description><![CDATA[Análise do poema Mundo Antigo de Carlos Drummond de Andrade, baseada em aula do professor da Faculdade de Letras da USP.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Análise do poema baseada no meu entendimento de uma aula do professor Roncari da Letras/USP. As ideias originais foram ouvidas na aula do professor, porém ele não é responsável por quaisquer erros, simplificações ou interpretações equivocadas de minha parte. Encare essa análise como o que ela é: uma anotação de aula que, em vez de ser feita no caderno, está na Internet.</p>
<h3>LEMBRANÇA DO MUNDO ANTIGO &#8211; poema de Carlos Drummond de Andrade</h3>
<p><em>1 Clara passeava no jardim com as crianças.<br />
2 O céu era verde sobre o gramado,<br />
3 a água era dourada sob as pontes,<br />
4 outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,<br />
5 o guarda civil sorria, passavam bicicletas,<br />
6 a menina pisou a relva para pegar um pássaro,<br />
7 o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranqüilo em redor de Clara.</em></p>
<p><em>8 As crianças olhavam para o céu: não era proibido.<br />
9 A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia [perigo.<br />
10 Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos.<br />
11 Clara tinha medo de perder o bonde das onze horas,<br />
12 esperava cartas que custavam a chegar,<br />
13 nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no<br />
[jardim, pela manhã!!!<br />
14 havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!!</em></p>
<h3>Análise</h3>
<p>Um caminho para a interpretação deste poema é buscar as palavras que o autor usa e fazer associações sobre elas, para tentando enxergar um sentido maior.</p>
<p>Existem três palavras chaves para se interpretar o primeiro verso. Clara é uma delas. Note que o nome da personagem é o oposto de cinza, escuro, sombrio. As associações de Clara são óbvias e se juntam as associações de crianças, a segunda palavra: inocência, ingenuidade. A terceira palavra que se pode usar para associações é jardim. Jardim é a natureza domada, segura para o homem. E remete ao Jardim do Éden.</p>
<p>Então as primeiras idéias que o autor passa sobre o mundo antigo do qual se lembra são de clareza, inocência, segurança, uma idade do ouro.</p>
<p>O segundo verso traz uma coisa estranha: o céu era verde! Isso porque ele refletia o gramado. Ou seja, não se distinguia mais o céu da terra. De novo a idéia de uma época celeste, quando havia inocência &#8211; e voltamos à idéia de no Jardim do Éden, o céu na terra.</p>
<p>A idéia de idade do ouro é reforçada mais uma vez no verso 3, com a cor dourada da água sob a ponte. As cores enumeradas no verso 4 passam a idéia de alegria, vida.</p>
<p>O guarda civil sorria (verso 5). O guarda civil é o símbolo das proibições, das restrições. Só que neste mundo antigo ele sorri, incentivando a menina a pisar na relva no verso 6 (o que normalmente é proibido nos jardins). E ela vai pegar um pássaro, o que normalmente é muito difícil de fazer, porque o pássaro obviamente irá fugir. Mas aqui não tem medo, e se deixa pegar pela menina.</p>
<p>No verso 7 há referências a uma Alemanha e china tranquilas. Na época que o poema foi escrito a Alemanha vivia o Nazismo e a China era invadida pelo Japão, que estava provocando grande matança por lá.</p>
<p>Note que todos os versos estão no passado. Esse mundo antigo é a negação do mundo atual. Nesse mundo antigo se olhava para o céu (verso 8), nessa época não era proibido: havia perspectivas. O que quer dizer que agora não. Naquela época não havia embotamento dos sentidos (verso 9). As preocupações existiam, mas eram ordinárias, banais, e havia as compensações: podia-se passear no jardim, os sentidos eram livres, havia perspectivas, pois podia-se olhar o céu!</p>
<p>Com esse poema falando de um mundo antigo o autor cria um desconforto com o tempo atual, provocando uma reflexão e desejo de mudança.</p>
<p>Veja uma<a href="http://blog.cybershark.net/miguel/2008/12/09/uma-analise-de-oficina-irritada-de-carlos-drummond-de-andrade/"> análise de &#8220;oficina irritada&#8221; de Drummond</a>.<strong>Similar Posts:</strong>
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