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	<title>Estudando Letras &#187; poesia</title>
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	<description>Anotações de aula do curso de letras</description>
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		<title>Análise do poema “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 17:58:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<category><![CDATA[teoria literária]]></category>
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		<category><![CDATA[gonçalves dias]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma análise do poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, relacionando forma e conteúdo. Introdução à conceitos de teoria literária em análise de poemas.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Este texto é uma anotação de uma análise feita em aula pelo professor Eduardo Martins. O professor não é de modo algum responsável por erros, omissões ou imprecisões na análise</em>.</p>
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<p>O poema foi escrito enquanto Golçaves Dias estava em portugal cursando Direito.</p>
<p>O poema pertence ao gênero Lírico, que não conta uma história e sim exprime um estado de ânimo de um “eu”, o “eu” lírico.Os elementos de cenário servem como metáforas desse estado de espírito e tem papel muito mais importanbte do que cenários onde se desenrola uma história.</p>
<p>O poema começa com o uso de uma epígrafe, prática comum no romantismo, que possui função semelhante à clave musical, servindo para sugerir o tom da interpretação do poema.</p>
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<p>O poema começa com a oposição da terra natal do <em>eu lírico</em> como lugar distante (lá) e a terra do exílio. Essa oposição parte de elementos prosaicos e vai num crescendo até atingir a própria vida.</p>
<p>A comparação não se dá entre <em>coisas que existem na terra natal e não no exílio</em>, mas sim entre <em>elementos presentes em ambas as terras, subjetivamente afirmando a superioridade da terra natal</em>.</p>
<h3>Forma</h3>
<p>O poema possui 3 quadras e 2 sextetos. A forma é simples, e essa simplicidade se reflete também no vocabulário. Mas a simplicidade não é sinal de “pobreza” e sim de grande habilidade no manuseio dos recursos formais do poema.</p>
<p>O poema possui uma “<em>musicalidade</em>” que é dada pelo ritmo e pelas rimas. Rimas são a repetição de alguns sons iguais ou semelhantes, no final ou no interior dos versos. No caso da “Canção do Exílio” as rimas se dão nos versos pares e os ímpares não rimam (embora alguns versos ímapres possuam rima “toante”, que é a rima apenas da sílaba tônica”. A rima comum seria a “soante”).</p>
<p>A repetição sonora é reforçada pela repetição de palavras, o que acaba por ecoar e firmar o aspecto musical do poema. A repetição dos versos acabam por criar um “refrão”, o que soma o aspecto “musical” do poema.</p>
<p><strong>O ritmo, na literatura neolatina, é dado pela sucessão de de sílabas fracas e fortes</strong>, ao se dividr as sílabas poéticas (como as sílabas são pronunciadas e contadas até a última sílaba tônica do verso).</p>
<p>No exemplo:</p>
<p>Mi/nha/ te/rra /tem/ pal/mei/ras<br />
On/de/ can/ta o/ sa/bi/á<br />
As/ a/ves/ que a/qui/ gor/jei/am<br />
Não/ gor/jeiam/ co/mo/ lá</p>
<p>Acabam produzindo o seguinte ritmo, se considerarmos a notação / para sílaba forte e _ para sílaba fraca:</p>
<p>/_/_/_/<br />
/_/_/_/<br />
_/__/_/<br />
/_/_/_/</p>
<p>Note o terceiro verso. O ritmo é destoante dos outros três (1°, 2° e 4°). Esse verso diz justamente “As aves que aqui gorjeiam”, ou seja uma referência à terra do exílio. O ritmo é quebrado sempre que o poeta se refere à terra do exílio. Nos versos 21, 22, e 23 também há quebra do ritmo, mas associada à grande tensão do “eu” lírico. Desse modo, <strong>a forma do poema é usada para dar consistência ao seu conteúdo</strong>.</p>
<p>O poema pertence à primeira geração romântica no Brasil, que coincide com a época da independência, estando associada à grandes aspirações nacionalistas e interesse pelas coisas do país, a “cor local”, refletindo, no romantismo, elementos da geografia local, afirmando a diferença e independencia de Portugal, inclusive literariamente.</p>
<p>Como a língua é a mesma, buscam uma teoria alemã que afirma a diferença na geografia. Essa teoria dividia a europa em dois “hemisférios literários”: o sul, mediterrâneo, luminoso, que se reflete na literatura greco romana e o norte brumoso, frio, que se reflete na cavalaria cristã romântica. Dessa forma os romantistas brasileiros resolvem o conflito da diferenciação literária mesmo compartilhando a língua com Portugal.</p>
<p><strong>Canção do Exílio</strong><br />
Minha terra tem palmeiras,<br />
Onde canta o sabiá;<br />
As aves, que aqui gorjeiam,<br />
Não gorjeiam como lá.</p>
<p>Nosso céu tem mais estrelas,<br />
Nossas várzeas tem mais flores,<br />
Nossos bosques tem mais vida,<br />
Nossa vida mais amores.</p>
<p>Em cismar, sozinho, à noite,<br />
Mais prazer encontro eu lá;<br />
Minha terra tem palmeiras,<br />
Onde canta o sabiá.</p>
<p>Minha terra tem primores,<br />
Que tais não encontro eu cá;<br />
Em cismar &#8211; sozinho, à noite -<br />
Mais prazer encontro eu lá;<br />
Minha terra tem palmeiras,<br />
Onde canta o Sabiá.</p>
<p>Não permita Deus que eu morra,<br />
Sem que eu volte para lá;<br />
Sem que desfrute os primores<br />
Que não encontro por cá;<br />
Sem qu&#8217;inda aviste as palmeiras,<br />
Onde canta o Sabiá.<br />
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		<title>Comparação da visão da Poesia de Platão em “A República” e de Aristóteles em “A Poética”</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 17:46:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[clássicos]]></category>
		<category><![CDATA[teoria literária]]></category>
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		<description><![CDATA[Um resumo de como enxergavam a poesia dois filósofos importantes da antiguidade clássica, Aristóteles e Platão.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.consciencia.org/platao.shtml">Platão é um aristocrata grego</a>, nascido em 427 ac e falecido em 348 ac.</p>
<p>Se tornou discípulo de Sócrates, mas ao contrário deste, deixa extensa obra escrita. Sócrates aparece na obra de Platão como “personagem”, mas de fato existiu.</p>
<h3>A República de Platão</h3>
<p>A República é uma série de diálogos conduzidos por Sócrates que investiga e trata da Justiça, usando como meio para isto a proposição de uma <strong>República ideal</strong>.<br />
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</script><br />
Nessa República existiriam 3 classes de cidadãos: Os Magistrados, os soldados e os produtores.</p>
<p>A República então propõe o sistema educacional dos Magistrados, educando-os para serem homens virtuosos. Eles deveriam, então, cultivar <strong>4 virtudes principais</strong>: Piedade, Valentia, Temperança, Justiça.</p>
<p>O Livro II discute como as divindades deveriam ser apresentadas aos Magistrados em formação. Segundo Platão, deveriam ser apresentados de maneira austera. No Livro III é discutido o <strong>papel da poesia</strong> na educação, já que esta possui muita força.</p>
<p>Platão apresenta o problema de que nem tudo o que o poeta “fala” na poesia é verdadeiro, o que é um problema para se educar homens virtuosos.</p>
<p>Uma das virtudes é a coragem, e o magistrado deve ser um homem livre, portanto não deve temer a morte. <em>Deve escolher morrer à ser escravo</em>.</p>
<p>Porém os poemas apresentam descrições horríveis da morte e do pós morte.</p>
<p>Após isso o diálogo prossegue apontando o que existe na poesia que não deve ser dito:</p>
<ul>
<li>Não descrever a morte e o Hades</li>
<li>Evitar mostrar heróis se lamentando</li>
<li>Não mostrar heróis e deuses gargalhando (devem ser homens austeros)</li>
<li>Não mostrar guerreiros sendo recompensados pelos seus atos, para não estimular a ambição e a ganância.</li>
<li>Heróis e deuses não devem ser retratados praticando atos ímpios</li>
</ul>
<p>Até aqui foram tratados os temas (<em>o que é dito</em>). Então a investigação prossegue pela forma (<em>como é dito</em>).</p>
<p>Os poetas narram acontecimentos, e a maneira de narrar se dividem, segundo PLatão, em:</p>
<ul>
<li>narrativa (discurso indireto)</li>
<li>imitação (discurso direto)</li>
<li>mista</li>
</ul>
<p>Dessa forma ele cria <strong>a primeira divisão dos gêneros</strong>.</p>
<h4>Poesia como imitação &#8211; visão negativa da poesia em Platão</h4>
<p>Para Platão a imitação é negativa (mesmo embora a República seja uma imitação). Ele alega que uma pessoa só consegue conhecer bem a sua própria profissão e outras coisas não sabe fazer bem, portanto é impossível se imitar com fidelidade. Além disso, ele alega, a imitação contínua afeta o caráter do imitador, então ele proibe o homem de caráter elevado de imitar pessoas vis.</p>
<p>Então a princípio deveria ser admitido somente a narrativa e o modo misto. Porém, no livro X, ele acaba por concluir que <strong>toda a poesia é imitação</strong>, pois ela reflete o mundo sensível, que é, por sua vez, reflexo do mundo das idéias. Portanto é imitação da imitação, estando dois graus longe da verdade. Assim, e<strong>le expulsa o Poeta da República ideal</strong>.</p>
<p>O único discurso que deve ser mantido é aquele que leva à verdade, a filosofia. A retórica é considerada maquiagem e também é banida.</p>
<p>Quem vai fazer a defesa da poesia é o discípulo de Platão, Aristóteles, na “Poetica”.</p>
<h3>A Poética de Aristóteles</h3>
<p><a href="http://www.consciencia.org/aristoteles_poetica.shtml">A Poética</a> não é um texto acabado e sim notas soltas usadas como lembretes de aula. Além disso, boa parte foi perdida.</p>
<p>Aristóteles diz que a poesia (arte) é imitação em a classifica conforme 3 aspectos:</p>
<ul>
<li>Meios da imitação</li>
<li>Objetos da imitação</li>
<li>Modo da imitação</li>
</ul>
<p>Os meios seriam, cores, formas, ritmo/harmonia, linguagem…<br />
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Exemplos:</p>
<ul>
<li>Aulética (flauta) – ritmo/harmonia</li>
<li>Citarística (cítara) – ritmo/harmonia</li>
<li>Seríngica – ritmo/harmonia</li>
<li>Dança – ritmo</li>
<li>Epopéia – linguagem</li>
</ul>
<p>Aristóteles se queixava de não existir uma palavra para englobar todas as formas poéticas (artísticas) que imitavam a linguagem. Hoje existe: <strong>literatura</strong>.</p>
<h4>Capítulo II da Poética – Classificação segundo o objeto imitado</h4>
<p>A “literatura” imita ações de homens piores, iguais ou melhores do que nós.</p>
<ul>
<li>Piores – Comédia</li>
<li>Iguais – ?</li>
<li>Melhores – Epopéia/tragédia</li>
</ul>
<p>O mesmo objeto também pode ser imitado de modos diferentes</p>
<ul>
<li>Narrativo: Epopéia</li>
<li>Dramático: tragédia/comédia</li>
</ul>
<p>Como Aristóteles não acredita no mundo das idéias, não considera errado imitar, <strong>ao contrário, é bom</strong>, pois é fonte de prazer e conhecimento (”Por imitação o homem aprende”). Segundo Platão a tragédia provoca terror e isso seria ruim, incutindo o medo, porém Aristóteles alega que a imitação purga, purifica o leitor (catarse), sendo, então, útil.<strong>Similar Posts:</strong>
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</ul>
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		</item>
		<item>
		<title>O que é poesia? Definição clássica de poesia</title>
		<link>http://www.estudandoletras.org/teoria-literaria/o-que-e-poesia-definicao-classica-de-poesia/</link>
		<comments>http://www.estudandoletras.org/teoria-literaria/o-que-e-poesia-definicao-classica-de-poesia/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 17:34:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
				<category><![CDATA[teoria literária]]></category>
		<category><![CDATA[Adma]]></category>
		<category><![CDATA[Aristóteles]]></category>
		<category><![CDATA[Gregório de matos]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[poesia é imitação]]></category>

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		<description><![CDATA[Definições clássicas de poesia: poesia é imitação e, após o romantismo, poesia é expressão. Discussão do que é poesia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>“Poesia é imitação”</h2>
<p>Comparando a poesia como um espelho, ou uma pintura. A poesia como imitação hoje em dia não nos ocorre, mas ela foi dominate até o século XVIII. A <a href="http://www.consciencia.org/aristoteles_poetica.shtml">Poética de Aristóteles </a>desaparece no começo da era cristã e reaparece somente no fim do século XV, quando passa a ser objeto de discussão novamente, e então o conceito de poesia é imitação reaparece.</p>
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<p>A questão levantada então é, se é imitação, o que ela imita?</p>
<p>Em um primeiro momento a resposta seria “o poeta imita o que ele vê, o mundo”. Porém as poesias retratam coisas não vistas, o que leva a questão “o poeta mente?”</p>
<p>Se considera então que na poesia aparecem coisas que existem, porém “deturpadas” e, por sua vez, isso leva às justificativas dessa “deturpação.”, desses desvios em relação ao mundo.</p>
<p>O primeiro argumento que aparece é que a poesia não imita a natureza como ela é, mas uma natureza “melhorada”, uma natureza “como ela poderia ser”.</p>
<p>Melhorada em quê, então? Segundo alguns, o poeta seleciona o belo, o agradável, os aspectos mais belos de uma coisa e então compõe uma coisa nova.</p>
<p>Outros raciocinam que o poeta não imitaria um indivíduo isolado, mas a média dos indvíduos, as características gerais, não representaria o homem, mas o “homem universal”.</p>
<p>Aristóteles afirma que o historiador relata o que aconteceu e o poeta o que poderia ter acontecido.</p>
<p>A Adma afirma que o poeta não imita a natureza, mas “como a natureza”, ou seja, retirando dela proporções e razões que seriam utilizadas para imitar.</p>
<p>A consequência disso é que o poeta imita outros poetas, e a imitação passa da natureza sensível para outros poemas, passando a imitar essa “segunda natureza” dos poemas.</p>
<p>Portanto, nessa época, imitar poesia faz parte de fazer poesia. A imitação é procedimento previsto nas poéticas, mas ela não se dá no sentido de cópia, mas sim de emulação, competindo com o original, tentando superá-lo. Nesse contexto a imitação não é vergonhosa ou algo a se esconder (não há o conceito de “plágio”).</p>
<p>Esse conceito é pós-romântico, quando poesia passa a ser expressão, que valoriza a originalidade, sinceridade e rejeita a imitação.</p>
<h3>Texto da Adma “Gregório de Matos, Beato”</h3>
<p>Gregório de Matos não publicou sua obra em vida, o que leva à dúvida do que é relamente dele ou não. Seria correto dizer que os poemas são “atribuidos” à ele.</p>
<p>Na análise dos poemas de G. de M. (por exemplo “À Jesus Cristo Nosso Senhor”) há um questionamento sobre a sinceridade do arrependimento do autor. Isso só cabe na perspectiva pós romântica, que considera poesia <em>expressão</em>. Antes do romantismo esse questionamento não tem lugar. Antes, como era imitação, a poesia não é expressão do eu, mas sim do gênero.</p>
<p>A Adma Murana propõe uma nova interpretação, então. Eles se enquadrariam num subgênero comum à época e rebate a acusação de que seriam um plágio, já que esse conceito não tem lugar na época do poema, sendo um anacronismo. Os poemas não se repetiriam, mas “rimariam”.</p>
<p>E apesar de sonetos terem começo semelhante o desenvolvimoneto é totalmente diferente. Gregório de Matos não está em tom de oração e prostração, mas sim de argumentação com Deus, alegando que o pecado o aproxima de Deus, pois o compromete com o perdão.</p>
<p>Essa argumentação se dá com um Deus “humanizado”, pois Jesus também experimentou a fraqueza da carne, e o pecado engrandece à Deus com a oportunidade de perdoar.</p>
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</script></p>
<p>O primeiro crítico de Gregório de Matos, O licensiado Manoel Pereira Rabelo, atribui esse soneto aos momentos finais da vida de Gregório de Matos. Já a Adma argumenta que não necessariamente seja da hora da morte, mas parte de um genêro, do qual cita como exemplo a antologia “Avisos para la muerte”.</p>
<p>Esse gênero (ou sub gênero) procura colocar diante do leitor os signos da morte, para lembrar que a vida é passageira e haverá um julgamento ao final, portanto o leitor deve preparar-se.</p>
<p>Ela prossegue argumentando que no caso do G. de M. é mais um aviso para aquele que mata (Deus) do que para aquele que morre.</p>
<p>Esse modelo de interlocução com Deus, argumentativo, não é heterodoxo, outros poemas existem nesse formato, sendo atitude comum no período.<strong>Similar Posts:</strong>
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		<title>O que é a retórica? Resumo e definição de retórica</title>
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		<description><![CDATA[Anotações resumidas sobre definições e estrutura da retórica.]]></description>
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<p>A retórica é a arte da persuasão. Reconhece-se dentro dela três gêneros de discurso:</p>
<h3>Deliberativo (política)</h3>
<p>Membros de uma assembléia debatem, com intuito de aconselhar ou desaconselhar uma ação a ocorrer no futuro.</p>
<h3>Judiciário (forense)</h3>
<p>O destinatário do discurso é o(s) Juiz(es)/advogados, com intuíto de acusar ou defender, tratando de uma ação ocorrida no passado.</p>
<h3>Epidídico (demonstrativo)</h3>
<p>Os destinatários do discurso seriam expectadores de um orador que visa vituperar ou louvar algo ou alguém.</p>
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<p>(O discurso de louvor é chamado de <em>panegírico</em>, sendo um subgênero da retórica.)</p>
<h2>Partes da retórica</h2>
<p>A retórica se divide em 5 partes, ou etapas de aleboração:</p>
<h3>1) Invenção</h3>
<p style="padding-left: 30px;"><strong>Encontrar</strong> os argumentos aptos a produzirem convencimento</p>
<h3>2) Disposição</h3>
<p style="padding-left: 30px;">Colocar os argumentos, as coisas “encontradas” na etapa anterior e e dispô-las (distribuir) no discurso.</p>
<h3>3) Elocução</h3>
<p style="padding-left: 30px;">Transformar as coisas encontradas e dispostas em palavras, transpor. Da idade antiga até a média, a elocução abrange a gramática.</p>
<p style="padding-left: 30px;">Aqui entra a ornamentação do discurso. Ele deve ser claro, sem ser enfadonho para gerar o convencimento. Utiliza-se as figuras de linguagem nessa parte.</p>
<h3>4) Memória</h3>
<p style="padding-left: 30px;">Era preciso memorizar o discurso para proferi-lo. Aqui entram as técnicas mneumônicas.</p>
<h3>5) Ação</h3>
<p style="padding-left: 30px;">O gestual do orador, a inflexão do orador, como se fosse um ator, fazem parte dessa etapa.</p>
<h2>Lugares comuns</h2>
<p>A retórica é uma técnica sofisticada e elaborada, embroa hoje em dia a palavra tenha cunho pejorativo (&#8220;é só retórica&#8221;).</p>
<p>Aristóteles defende a retórica (atacada por Platão) como sendo útil, para defender as boas causas.</p>
<p>Na etapa de inveção diz-se que se encontra argumentos, portanto se pressupõe que esses argumentos já existam. Eles “residem” na tópica, que o conjunto de lugares comuns (loci comunis), dos quais se servem os autores.</p>
<p style="padding-left: 30px;">Topos (singular)/ Topoi (plural): latim para “lugar”</p>
<p>Segundo Curtius a poesia vai se “encharcar” da retórica, se alimentando de “lugares comuns” (topi) do <strong>panegírico</strong>.</p>
<h3>Definições históricas de poesia</h3>
<p>Curtius começa introduzindo um problema: até a época de Dante, cerca de 1300, não havia uma palavra para designar poesia. Ela era conhecida pelo temro genérico “eloquencia”.</p>
<p>Poesia para os antigos era conhecida como “canto”, os poetas “cantavam”.</p>
<p>Para Platão e os gregos os poetas eram os fazedores de poesia (poesis -&gt; fazer em grego). Mas “fazer” não tinha sentido de “criar”, mas sim um sentido técnico. Com a poética sendo redescoberta no século XV, então há a “poesia”.</p>
<p>A seguir Curtius trata da poesia vs prosa. No começo não eram separadas drasticamente, sendo inclusive permeáveis. Transcrevia-se de uma para o outra forma, com relativa indistinção.</p>
<p>A poesia absorveu algo dos gêneros retóricos (forense, político e panegírico)?</p>
<p>Curtius alega que a Idade Média conhecia essas distinções, chamando-as de “sistema antigo”.</p>
<p>Estudava-se, durante a Idade Média, o gênero judiciário assim como o deliberativo, criando-se causas fictícias chamadas de “controvérsias” com função didática.</p>
<h3>Panegírico</h3>
<p>A poesia medieval desenvolver o genêreo panegírico. Os objetos de louvor podem ser diversas coisas, uma vasta gama, de pessoas a cidades.</p>
<p>O panegírico dedicado à louvar os homens se dá em três tempos:</p>
<ul>
<li>Antepassados</li>
<li>Infância</li>
<li>Idade Madura</li>
</ul>
<p>Para isso utilizam-se os <strong>lugares comuns</strong>, assim como para se loucar as cidades, que possue seu próprio conjunto de lugares comuns. O elogio ao soberano será visto na semana que vem.</p>
<p>A panegírica pode se misturar com outros gêneros poéticos, como a Epopéia, ou a lírica.</p>
<p>Na interpretação desses poemas não se deve considerar a “vivência” do autor mas o objeto utilizado, e seu topoi relacionado.</p>
<p>O texto avança, entrando na análise da tópica do panegírico pessoal.</p>
<p>Começando pelo topoi do indizível, onde o orador afirma não ser capaz de exprimir adequadamente os elogios, ficando o discurso aquém da garndeza do elogiado.</p>
<p>Com o tempo passa-se a dizer que os grandes poetas da antiguidade não teriam palavras, tal é a magnitude do louvado.</p>
<p>Passa-se a dizer, depois, que a pessoa louvada é conhecida em todos os lugares (”até na Índia”).</p>
<p>Então tem-se a técncia do sobrepujamento, comparação que tem por fim elogiar (no estilo “mais honesto do que o mais honesto”) -&gt; hipérbole. Disso deriva o elogio do contemporâneo, que sempre sobrepujaria os antigos.<strong>Similar Posts:</strong>
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		<title>Análise do poema &#8220;Mundo Antigo&#8221; de Carlos Drummond de Andrade</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 16:34:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>admin</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Análise do poema Mundo Antigo de Carlos Drummond de Andrade, baseada em aula do professor da Faculdade de Letras da USP.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Análise do poema baseada no meu entendimento de uma aula do professor Roncari da Letras/USP. As ideias originais foram ouvidas na aula do professor, porém ele não é responsável por quaisquer erros, simplificações ou interpretações equivocadas de minha parte. Encare essa análise como o que ela é: uma anotação de aula que, em vez de ser feita no caderno, está na Internet.</p>
<h3>LEMBRANÇA DO MUNDO ANTIGO &#8211; poema de Carlos Drummond de Andrade</h3>
<p><em>1 Clara passeava no jardim com as crianças.<br />
2 O céu era verde sobre o gramado,<br />
3 a água era dourada sob as pontes,<br />
4 outros elementos eram azuis, róseos, alaranjados,<br />
5 o guarda civil sorria, passavam bicicletas,<br />
6 a menina pisou a relva para pegar um pássaro,<br />
7 o mundo inteiro, a Alemanha, a China, tudo era tranqüilo em redor de Clara.</em></p>
<p><em>8 As crianças olhavam para o céu: não era proibido.<br />
9 A boca, o nariz, os olhos estavam abertos. Não havia [perigo.<br />
10 Os perigos que Clara temia eram a gripe, o calor, os insetos.<br />
11 Clara tinha medo de perder o bonde das onze horas,<br />
12 esperava cartas que custavam a chegar,<br />
13 nem sempre podia usar vestido novo. Mas passeava no<br />
[jardim, pela manhã!!!<br />
14 havia jardins, havia manhãs naquele tempo!!!</em></p>
<h3>Análise</h3>
<p>Um caminho para a interpretação deste poema é buscar as palavras que o autor usa e fazer associações sobre elas, para tentando enxergar um sentido maior.</p>
<p>Existem três palavras chaves para se interpretar o primeiro verso. Clara é uma delas. Note que o nome da personagem é o oposto de cinza, escuro, sombrio. As associações de Clara são óbvias e se juntam as associações de crianças, a segunda palavra: inocência, ingenuidade. A terceira palavra que se pode usar para associações é jardim. Jardim é a natureza domada, segura para o homem. E remete ao Jardim do Éden.</p>
<p>Então as primeiras idéias que o autor passa sobre o mundo antigo do qual se lembra são de clareza, inocência, segurança, uma idade do ouro.</p>
<p>O segundo verso traz uma coisa estranha: o céu era verde! Isso porque ele refletia o gramado. Ou seja, não se distinguia mais o céu da terra. De novo a idéia de uma época celeste, quando havia inocência &#8211; e voltamos à idéia de no Jardim do Éden, o céu na terra.</p>
<p>A idéia de idade do ouro é reforçada mais uma vez no verso 3, com a cor dourada da água sob a ponte. As cores enumeradas no verso 4 passam a idéia de alegria, vida.</p>
<p>O guarda civil sorria (verso 5). O guarda civil é o símbolo das proibições, das restrições. Só que neste mundo antigo ele sorri, incentivando a menina a pisar na relva no verso 6 (o que normalmente é proibido nos jardins). E ela vai pegar um pássaro, o que normalmente é muito difícil de fazer, porque o pássaro obviamente irá fugir. Mas aqui não tem medo, e se deixa pegar pela menina.</p>
<p>No verso 7 há referências a uma Alemanha e china tranquilas. Na época que o poema foi escrito a Alemanha vivia o Nazismo e a China era invadida pelo Japão, que estava provocando grande matança por lá.</p>
<p>Note que todos os versos estão no passado. Esse mundo antigo é a negação do mundo atual. Nesse mundo antigo se olhava para o céu (verso 8), nessa época não era proibido: havia perspectivas. O que quer dizer que agora não. Naquela época não havia embotamento dos sentidos (verso 9). As preocupações existiam, mas eram ordinárias, banais, e havia as compensações: podia-se passear no jardim, os sentidos eram livres, havia perspectivas, pois podia-se olhar o céu!</p>
<p>Com esse poema falando de um mundo antigo o autor cria um desconforto com o tempo atual, provocando uma reflexão e desejo de mudança.</p>
<p>Veja uma<a href="http://blog.cybershark.net/miguel/2008/12/09/uma-analise-de-oficina-irritada-de-carlos-drummond-de-andrade/"> análise de &#8220;oficina irritada&#8221; de Drummond</a>.<strong>Similar Posts:</strong>
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