A retórica é a arte da persuasão. Reconhece-se dentro dela três gêneros de discurso:
Deliberativo (política)
Membros de uma assembléia debatem, com intuito de aconselhar ou desaconselhar uma ação a ocorrer no futuro.
Judiciário (forense)
O destinatário do discurso é o(s) Juiz(es)/advogados, com intuíto de acusar ou defender, tratando de uma ação ocorrida no passado.
Epidídico (demonstrativo)
Os destinatários do discurso seriam expectadores de um orador que visa vituperar ou louvar algo ou alguém.
(O discurso de louvor é chamado de panegírico, sendo um subgênero da retórica.)
Partes da retórica
A retórica se divide em 5 partes, ou etapas de aleboração:
1) Invenção
Encontrar os argumentos aptos a produzirem convencimento
2) Disposição
Colocar os argumentos, as coisas “encontradas” na etapa anterior e e dispô-las (distribuir) no discurso.
3) Elocução
Transformar as coisas encontradas e dispostas em palavras, transpor. Da idade antiga até a média, a elocução abrange a gramática.
Aqui entra a ornamentação do discurso. Ele deve ser claro, sem ser enfadonho para gerar o convencimento. Utiliza-se as figuras de linguagem nessa parte.
4) Memória
Era preciso memorizar o discurso para proferi-lo. Aqui entram as técnicas mneumônicas.
5) Ação
O gestual do orador, a inflexão do orador, como se fosse um ator, fazem parte dessa etapa.
Lugares comuns
A retórica é uma técnica sofisticada e elaborada, embroa hoje em dia a palavra tenha cunho pejorativo (“é só retórica”).
Aristóteles defende a retórica (atacada por Platão) como sendo útil, para defender as boas causas.
Na etapa de inveção diz-se que se encontra argumentos, portanto se pressupõe que esses argumentos já existam. Eles “residem” na tópica, que o conjunto de lugares comuns (loci comunis), dos quais se servem os autores.
Topos (singular)/ Topoi (plural): latim para “lugar”
Segundo Curtius a poesia vai se “encharcar” da retórica, se alimentando de “lugares comuns” (topi) do panegírico.
Definições históricas de poesia
Curtius começa introduzindo um problema: até a época de Dante, cerca de 1300, não havia uma palavra para designar poesia. Ela era conhecida pelo temro genérico “eloquencia”.
Poesia para os antigos era conhecida como “canto”, os poetas “cantavam”.
Para Platão e os gregos os poetas eram os fazedores de poesia (poesis -> fazer em grego). Mas “fazer” não tinha sentido de “criar”, mas sim um sentido técnico. Com a poética sendo redescoberta no século XV, então há a “poesia”.
A seguir Curtius trata da poesia vs prosa. No começo não eram separadas drasticamente, sendo inclusive permeáveis. Transcrevia-se de uma para o outra forma, com relativa indistinção.
A poesia absorveu algo dos gêneros retóricos (forense, político e panegírico)?
Curtius alega que a Idade Média conhecia essas distinções, chamando-as de “sistema antigo”.
Estudava-se, durante a Idade Média, o gênero judiciário assim como o deliberativo, criando-se causas fictícias chamadas de “controvérsias” com função didática.
Panegírico
A poesia medieval desenvolver o genêreo panegírico. Os objetos de louvor podem ser diversas coisas, uma vasta gama, de pessoas a cidades.
O panegírico dedicado à louvar os homens se dá em três tempos:
- Antepassados
- Infância
- Idade Madura
Para isso utilizam-se os lugares comuns, assim como para se loucar as cidades, que possue seu próprio conjunto de lugares comuns. O elogio ao soberano será visto na semana que vem.
A panegírica pode se misturar com outros gêneros poéticos, como a Epopéia, ou a lírica.
Na interpretação desses poemas não se deve considerar a “vivência” do autor mas o objeto utilizado, e seu topoi relacionado.
O texto avança, entrando na análise da tópica do panegírico pessoal.
Começando pelo topoi do indizível, onde o orador afirma não ser capaz de exprimir adequadamente os elogios, ficando o discurso aquém da garndeza do elogiado.
Com o tempo passa-se a dizer que os grandes poetas da antiguidade não teriam palavras, tal é a magnitude do louvado.
Passa-se a dizer, depois, que a pessoa louvada é conhecida em todos os lugares (”até na Índia”).
Então tem-se a técncia do sobrepujamento, comparação que tem por fim elogiar (no estilo “mais honesto do que o mais honesto”) -> hipérbole. Disso deriva o elogio do contemporâneo, que sempre sobrepujaria os antigos.