O que é poesia? Definição clássica de poesia

“Poesia é imitação”

Comparando a poesia como um espelho, ou uma pintura. A poesia como imitação hoje em dia não nos ocorre, mas ela foi dominate até o século XVIII. A Poética de Aristóteles desaparece no começo da era cristã e reaparece somente no fim do século XV, quando passa a ser objeto de discussão novamente, e então o conceito de poesia é imitação reaparece.

A questão levantada então é, se é imitação, o que ela imita?

Em um primeiro momento a resposta seria “o poeta imita o que ele vê, o mundo”. Porém as poesias retratam coisas não vistas, o que leva a questão “o poeta mente?”

Se considera então que na poesia aparecem coisas que existem, porém “deturpadas” e, por sua vez, isso leva às justificativas dessa “deturpação.”, desses desvios em relação ao mundo.

O primeiro argumento que aparece é que a poesia não imita a natureza como ela é, mas uma natureza “melhorada”, uma natureza “como ela poderia ser”.

Melhorada em quê, então? Segundo alguns, o poeta seleciona o belo, o agradável, os aspectos mais belos de uma coisa e então compõe uma coisa nova.

Outros raciocinam que o poeta não imitaria um indivíduo isolado, mas a média dos indvíduos, as características gerais, não representaria o homem, mas o “homem universal”.

Aristóteles afirma que o historiador relata o que aconteceu e o poeta o que poderia ter acontecido.

A Adma afirma que o poeta não imita a natureza, mas “como a natureza”, ou seja, retirando dela proporções e razões que seriam utilizadas para imitar.

A consequência disso é que o poeta imita outros poetas, e a imitação passa da natureza sensível para outros poemas, passando a imitar essa “segunda natureza” dos poemas.

Portanto, nessa época, imitar poesia faz parte de fazer poesia. A imitação é procedimento previsto nas poéticas, mas ela não se dá no sentido de cópia, mas sim de emulação, competindo com o original, tentando superá-lo. Nesse contexto a imitação não é vergonhosa ou algo a se esconder (não há o conceito de “plágio”).

Esse conceito é pós-romântico, quando poesia passa a ser expressão, que valoriza a originalidade, sinceridade e rejeita a imitação.

Texto da Adma “Gregório de Matos, Beato”

Gregório de Matos não publicou sua obra em vida, o que leva à dúvida do que é relamente dele ou não. Seria correto dizer que os poemas são “atribuidos” à ele.

Na análise dos poemas de G. de M. (por exemplo “À Jesus Cristo Nosso Senhor”) há um questionamento sobre a sinceridade do arrependimento do autor. Isso só cabe na perspectiva pós romântica, que considera poesia expressão. Antes do romantismo esse questionamento não tem lugar. Antes, como era imitação, a poesia não é expressão do eu, mas sim do gênero.

A Adma Murana propõe uma nova interpretação, então. Eles se enquadrariam num subgênero comum à época e rebate a acusação de que seriam um plágio, já que esse conceito não tem lugar na época do poema, sendo um anacronismo. Os poemas não se repetiriam, mas “rimariam”.

E apesar de sonetos terem começo semelhante o desenvolvimoneto é totalmente diferente. Gregório de Matos não está em tom de oração e prostração, mas sim de argumentação com Deus, alegando que o pecado o aproxima de Deus, pois o compromete com o perdão.

Essa argumentação se dá com um Deus “humanizado”, pois Jesus também experimentou a fraqueza da carne, e o pecado engrandece à Deus com a oportunidade de perdoar.

O primeiro crítico de Gregório de Matos, O licensiado Manoel Pereira Rabelo, atribui esse soneto aos momentos finais da vida de Gregório de Matos. Já a Adma argumenta que não necessariamente seja da hora da morte, mas parte de um genêro, do qual cita como exemplo a antologia “Avisos para la muerte”.

Esse gênero (ou sub gênero) procura colocar diante do leitor os signos da morte, para lembrar que a vida é passageira e haverá um julgamento ao final, portanto o leitor deve preparar-se.

Ela prossegue argumentando que no caso do G. de M. é mais um aviso para aquele que mata (Deus) do que para aquele que morre.

Esse modelo de interlocução com Deus, argumentativo, não é heterodoxo, outros poemas existem nesse formato, sendo atitude comum no período.

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